Benguela - O ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, anunciou que já está aprovado e concluído o financiamento para a reabilitação dos canais de irrigação do município do Dombe Grande, na província de Benguela.
A informação foi prestada à imprensa, em Benguela, à margem da inauguração de três empreendimentos agro-industriais, com destaque para a fábrica de tomate do Dombe Grande, com capacidade para processar, numa primeira fase, até 120 toneladas por dia.
O governante esclareceu que o referido financiamento contempla igualmente a construção do dique em falta, permitindo a integração da povoação do Luacho no sistema produtivo do Dombe Grande.
Segundo Isaac dos Anjos, o projecto insere-se num esforço mais amplo de recuperação das infra-estruturas do sector na província, entre as quais se incluem as obras em curso nos canais de irrigação do Alto Catumbela.
Para o ministro, estes investimentos demonstram que o sector agrícola está "no bom caminho".
Questionado sobre a escassez de energia eléctrica no Dombe Grande, o governante defendeu que a falta de ligação à rede nacional de electricidade não deve ser um entrave ao desenvolvimento do meio rural.
Recordou que a região, historicamente ligada à produção de açúcar e óleo de palma, funcionava com geração própria de energia e sublinhou que é possível desenvolver a indústria recorrendo a soluções locais, como mini-hídricas.
Como exemplo, citou uma antiga fazenda no Bocoio, onde está a ser instalada uma unidade de processamento de ananás, que funcionava apoiada numa micro-turbina com capacidade de cerca de dois megawatts, que impulsionava outras actividades industriais, como a produção de leite.
Sobre a produção de arroz e trigo, Isaac dos Anjos afirmou que Angola deve apostar na reabilitação e expansão das infra-estruturas existentes, reconhecendo, no entanto, que o país não pode competir com grandes produtores internacionais devido às limitações climáticas.
Ainda assim, defendeu o aproveitamento das extensas terras húmidas ao longo dos rios nacionais.
Quanto ao canal de Cafu, explicou que o Estado construiu a infra-estrutura principal para abastecimento de água às comunidades, mas que os investimentos necessários para a irrigação agrícola devem ser assegurados pelo sector privado, que enfrenta ainda limitações no acesso ao financiamento. JH/CRB
Fonte: Angop - 09 de Fevereiro de 2026


