Portugal reforça disponibilidade para apoiar desenvolvimento da agricultura angolana
09/10/2026Presença do Secretário de Estado da Agricultura de Portugal na AgriTech Show Luanda reforça dimensão institucional da feira e abre novas perspectivas de cooperação em tecnologia, conhecimento e desenvolvimento agrícola
Presença do Secretário de Estado da Agricultura de Portugal na AgriTech Show Luanda reforça dimensão institucional da feira e abre novas perspectivas de cooperação em tecnologia, conhecimento e desenvolvimento agrícola
A presença do Secretário de Estado da Agricultura de Portugal, João Moura, na primeira edição da AgriTech Show Luanda, assumiu uma dimensão que ultrapassou a participação institucional numa feira agrícola. A visita constituiu uma oportunidade para reafirmar a disponibilidade de Portugal para aprofundar a cooperação com Angola no domínio da agricultura, nomeadamente através da partilha de conhecimento, tecnologia e investigação.
Acompanhado pelo Embaixador de Portugal em Angola, Nuno Vaultier Mathias, o governante português visitou a AgriTech Show, realizada na Fazenda da Quiminha, tendo destacado o potencial agrícola de Angola e a importância de uma maior aproximação entre os dois países neste sector.
Na ocasião, João Moura afirmou que Portugal está disponível para partilhar conhecimento e tecnologia com Angola, defendendo uma maior articulação entre as instituições dos dois países e uma cooperação mais próxima entre os respectivos ministérios da Agricultura.
Uma presença com significado institucional
A participação de um membro do Governo português numa iniciativa dedicada ao futuro do agronegócio angolano conferiu à AgriTech Show uma dimensão institucional particularmente relevante.
A presença do Secretário de Estado permitiu colocar em contacto directo empresas, produtores, fornecedores de tecnologia e equipamentos e outros actores do sector com uma representação governamental portuguesa, num momento em que Angola procura acelerar a modernização da sua agricultura e criar condições para o desenvolvimento de cadeias de valor mais competitivas.
A disponibilidade manifestada por Portugal ganha especial relevância num sector em que Angola necessita de aumentar a produtividade, melhorar a mecanização, reforçar a formação técnica, incorporar tecnologia e desenvolver capacidade de transformação e comercialização.
É precisamente nesta ligação entre conhecimento, tecnologia, investimento e produção que a cooperação internacional pode assumir um papel determinante.
Portugal disponível para partilhar conhecimento e tecnologia
Durante a visita, João Moura destacou o potencial de Angola para o desenvolvimento agrícola e a possibilidade de Portugal contribuir com conhecimento e tecnologia acumulados pelas empresas e instituições portuguesas.
O governante português referiu ainda o interesse do Ministério da Agricultura de Portugal, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) em estabelecer mecanismos de cooperação que permitam aos especialistas dos dois países partilhar resultados de investigação e conhecimento científico.
Esta dimensão é particularmente importante para Angola, onde a modernização do sector agrícola exige não apenas investimento em equipamentos e infra-estruturas, mas também acesso a conhecimento aplicado, investigação, assistência técnica e soluções adaptadas às condições de produção nacionais.
A cooperação poderá, assim, contribuir para aproximar a investigação da realidade do campo e acelerar a transferência de soluções para produtores e empresas.
Angola como oportunidade para empresas portuguesas
João Moura destacou também o potencial de Angola para a expansão de empresas portuguesas e a possibilidade de o país funcionar como uma plataforma de produção com ligação a outros mercados.
Esta perspectiva é particularmente relevante numa altura em que Angola procura desenvolver uma agricultura orientada não apenas para o abastecimento do mercado interno, mas também para a criação de excedentes, transformação agro-industrial e exportação.
Para Portugal, a relação com Angola poderá igualmente representar uma oportunidade de internacionalização para empresas que dispõem de tecnologia, conhecimento e experiência em áreas como mecanização, irrigação, produção agrícola, transformação, certificação e gestão de cadeias agro-alimentares.
A cooperação pode, desta forma, deixar de assentar apenas numa lógica de transferência de conhecimento e evoluir para parcerias empresariais, tecnológicas e de investimento.
A AgriTech como espaço de cooperação
A presença do governante português reforçou também uma das principais características da AgriTech Show: a capacidade de colocar no mesmo espaço os diferentes actores necessários à transformação do sector agrícola.
A primeira edição da feira reuniu 60 expositores, cerca de 5.000 profissionais, 120 hectares de culturas e delegações internacionais de sete países, combinando conferências, demonstrações de máquinas e equipamentos, campos de demonstração, visitas técnicas e encontros empresariais.
A participação internacional assumiu, neste contexto, uma importância estratégica. A feira procurou aproximar Angola de empresas, tecnologias e modelos de produção utilizados noutros mercados, mas também criar condições para que os parceiros internacionais conhecessem directamente as oportunidades existentes no país.
Uma relação que pode ganhar nova dimensão no agro
A cooperação entre Angola e Portugal tem uma longa dimensão económica e empresarial e inclui já uma presença significativa de empresas portuguesas no mercado angolano. Em declarações recentes, o Embaixador de Portugal em Angola destacou a existência de mais de 1.200 empresas de capital português ou misto no país e apontou a agricultura entre os sectores de cooperação bilateral.
No sector agrícola, existe agora espaço para aprofundar essa relação através de uma maior aproximação entre empresas, instituições de investigação, universidades, centros tecnológicos e entidades públicas.
A AgriTech Show mostrou que existe interesse empresarial e institucional em torno desta agenda. A visita do Secretário de Estado da Agricultura de Portugal acrescentou-lhe uma dimensão política e institucional, colocando a cooperação agrícola entre os temas com potencial para ganhar maior expressão na relação bilateral.
Da cooperação ao terreno
O desafio que se coloca agora é transformar esta disponibilidade em projectos concretos.
Para Angola, isso significa conseguir que conhecimento e tecnologia cheguem efectivamente aos produtores, contribuam para aumentar a produtividade e ajudem as empresas agrícolas a tornarem-se mais competitivas.
Para Portugal, significa encontrar em Angola novas oportunidades para as suas empresas, centros de investigação e instituições técnicas, criando parcerias que possam gerar valor para os dois países.
É neste ponto que a presença de João Moura na AgriTech Show ganha particular significado: num sector onde Angola procura acelerar a transformação e Portugal dispõe de conhecimento, tecnologia e empresas com experiência, existe espaço para construir uma cooperação agrícola mais prática, mais empresarial e mais orientada para resultados.
A AgriTech Show terminou a sua primeira edição, mas a presença institucional portuguesa deixou uma mensagem que poderá prolongar-se para além dos quatro dias de feira: Portugal está disponível para ajudar Angola a desenvolver a sua agricultura e a próxima etapa será transformar essa disponibilidade em conhecimento partilhado, tecnologia aplicada, investimento e novos negócios.